
° ° °
° ° °

° ° °

° ° °
Em meio à densa floresta do norte do México,
° ° °
“Quantas pobres almas imortais já não encontrei esmagadas e sufocadas sob suas cargas, rastejando e empurrando pela estrada da vida afora celeiros de vinte e cinco metros por quinze, com seus estábulos de Augias nunca limpos, mais de quarenta hectares de terra para amanho, sega, pastagem, sem falar nos bosques! Quem nada possui não luta com encargos desnecessários e já considera bastante a tarefa de sujeitar e cultivar seu quinhão de carne.
° ° °
andam armados, com os olhos negros em fúria.
Bem acompanhados de todos os grandes espíritos da floresta,
procuram o inimigo, com a paz entre os dentes.
“Tudo para todos, nada para nós.”
Contudo, os homens trabalham à sombra de um erro, lançando a solo para adubo o que têm de melhor. Por uma sina ilusória, vulgarmente chamada necessidade, desgastam-se, como se diz num velho livro, a amontoar tesouros que a traça e a ferrugem estragarão e que surgem ladrões para roubar. É uma vida de imbecis, como perceberão ao fim dela, senão antes. Por simples ignorância e equívoco, muita gente se deixa absorver de tal modo por preocupações artificiais e tarefas superfluamente ásperas, que não pode colher os frutos mais saborosos da vida. Não há condições para que sejam outra coisa senão uma máquina.
Os homens, em sua maioria, levam vidas de sereno desespero. O que se chama resignação é desespero crônico. Vão das cidades sem perspectiva para o campo sem futuro. Uma desesperança estereotipada mas inconsciente esconde-se sob os chamados jogos e diversões da humanidade. Temos a tendência de exagerar a importância de qualquer trabalho, contudo quanto deixamos de fazer, ou o que aconteceria se adoecêssemos? O dia inteirinho de prontidão, quando chega a noite rezamos as orações sem ânimo e nos entregamos a dúvidas. Somos completa e sinceramente forçados a viver referenciando nossa vida e negando a possibilidade de modificação.
Quando um homem conseguir com que um fato da imaginação se torne um fato do seu entendimento, prevejo que todos os homens terminarão por estabelecer suas vidas sobre essa base”.
Retirado de "Walden ou A Vida nos Bosques" de Henry Thoreau.
° ° °
° ° °
"O que escrevi em 19 de março
° ° °
Sonnet To Liberty
° ° °
Fidel Castro Ruz
Na terça-feira, não havia notícias internacionais urgentes. Minha modesta mensagem ao povo, em 18 de fevereiro, não encontrou dificuldades para ser amplamente divulgada. Desde as 11 das manhã comecei a receber notícias concretas. Havia dormido como nunca na noite anterior. Tinha a consciência tranqüila e me havia prometido férias. Os dias de tensão, à medida que o 24 de fevereiro se aproximava, me deixaram exausto.
Não direi uma palavra, hoje, sobre as pessoas afetuosas, de Cuba e do mundo, que expressaram suas emoções de mil maneiras diferentes. Recebi igualmente um número elevado de opiniões recolhidas nas ruas por métodos confiáveis, e elas quase sem exceção, e espontaneamente, expressavam profundos sentimentos de solidariedade. Tratarei desse tema um dia.
Mas hoje dedicarei minhas reflexões ao adversário. Foi divertido observar a posição embaraçosa de todos os candidatos à presidência dos Estados Unidos, que se viram um a um obrigados a proclamar exigências imediatas a Cuba, para não arriscar um único eleitor. Seria possível imaginar que eu fosse um jornalista premiado com o Pulitzer e os estivesse entrevistando sobre os mais delicados assuntos políticos e até pessoais, em Las Vegas, onde reina a lógica do azar e das roletas de jogo, uma cidade que qualquer candidato à presidência deveria visitar humildemente.
Meio século de bloqueio parecia pouco, aos candidatos favoritos. Mudança, mudança, mudança, gritavam em uníssono.
Eu concordo -mudança!-, mas nos Estados Unidos. Cuba mudou há muito tempo e prosseguirá em seu rumo dialético. Nosso povo exclama que não deseja retornar ao passado.
"Anexação, anexação, anexação!", responde o adversário -já que é isso que eles pensam, no fundo, quando falam em mudança.
José Martí, rompendo o segredo de sua luta silenciosa, denunciou o império voraz e expansionista já descoberto e descrito por sua genial inteligência, mais de um século depois da declaração revolucionária de independência pelas 13 colônias.
O fim de uma etapa não é a mesma coisa que o início do fim de um sistema insustentável.
De imediato, as minguadas potências européias aliadas a esse sistema proclamam as mesmas exigências. Na opinião delas, chegou a hora de dançar com a música da democracia e da liberdade, coisas que não conhecem desde os tempos de Torquemada. A colonização e a neocolonização de continentes inteiros, de onde extraem energia, matérias-primas e mão-de-obra barata, as desqualifica moralmente.
Um ilustríssimo personagem espanhol, antigo ministro da Cultura e um dia socialista impecável, é hoje e já algum tempo porta-voz das armas e da guerra, e serve como síntese da irracionalidade pura. Kosovo e sua declaração unilateral de independência os golpeia agora como um impertinente pesadelo.
No Iraque e no Afeganistão, continuam a morrer homens de carne e osso, com os uniformes dos Estados Unidos e da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan). E as recordações da União Soviética, desintegrada em parte devido à sua aventura intervencionista no segundo destes países, perseguem os europeus como uma sombra.
Bush pai defende McCain como candidato, enquanto Bush filho, em visita a um país da África -a origem do homem no passado e o continente-mártir do presente-, para fazer ninguém sabe o quê, declarou que minha mensagem era o início do caminho da liberdade para Cuba, ou seja, a anexação decretada por seu governo em um volumoso e enorme texto.
No dia anterior, as estações internacionais de televisão mostravam um grupo de bombardeiros de última geração fazendo manobras espetaculares, com garantia total de que bombas de qualquer tipo poderiam ser lançadas sem que os radares detectem as aeronaves que as carregam e sem que isso seja considerado crime de guerra.
Um protesto de países importantes se relacionava à idéia imperial de testar uma arma, sob o pretexto e evitar a possível queda em território de outro país de um satélite espião, um dos muitos artefatos que os Estados Unidos colocaram em órbita do planeta.
Eu havia pensado que deixaria de escrever por pelo menos 10 dias, mas não tinha direito a guardar silêncio por tanto tempo. É preciso abrir fogo ideológico contra eles.
Escrevi este texto às 15h35 da terça-feira. Revisei o texto no dia seguinte e o entreguei na quinta-feira. Roguei encarecidamente que minhas reflexões sejam publicadas na página dois ou qualquer outra de nossos periódicos, nunca em primeira página, e que resumos simples sejam divulgados pelas outras mídias, caso elas sejam extensas.
Agora, estou me dedicando ao esforço de preparar meu voto de chapa para a seleção da presidência da Assembléia Nacional e do novo Conselho de Estado, e de decidir como fazê-lo.
Agradeço aos leitores por sua paciente espera.
Fidel Castro Ruz,
21 de fevereiro de 2008."
Not that I love thy children, whose dull eyes
See nothing save their own unlovely woe,
Whose minds know nothing, nothing care to know,
But that the roar of the Democracies,
Thy reigns of Terror, thy great Anarchies,
Mirror my wildest passions like the sea
And give my rage a brother Liberty!
For the sake only do thy dissonant cries
Delight my discreet soul, else might all kings
By bloody knout of treacherous cannonades
Rob nations of their rights inviolate
And I remain unmoved and yet, and yet,
These Christs that die upon the barricades,
God knows I am with them, in some things.
Soneto à Liberdade
Não que eu ame teus filhos cujo olhar obtuso
Somente vê a própria e repugnante dor,
Cuja mente não sabe, ou quer saber, de nada
É que, com seu rugir, tuas Democracias,
Teus reinos de Terror e grandes Anarquias
Refletem meus afãs extremos como o mar,
Dando-me Liberdade! - à cólera uma irmã.
Minha alma circunspeta gosta de teus gritos
Confusos só por causa disso: do contrário,
Reis com sangrento açoite ou seus canhões traiçoeiros
Roubavam às nações seus sagrados direitos,
Deixando-me impassível e ainda, ainda assim,
Esses Cristos que morrem sobre as barricadas,
Deus sabe que os apóio ao menos parcialmente.
Oscar Wilde
Tradução: Nelson Ascher
° ° °
O grande lance definitivamente acaba por ser a revolução cotidiana. Fale com aqueles quais nunca trocou uma palavra sequer, comente com o cobrador de ônibus sua posição política e espalhe para o mundo sua condição de expectador crítico. Praxis.
° ° °
Perguntemo-nos agora com toda humildade – quantos dólares vale seu caráter?
° ° °
como diria Sartre: "Nada é irremediável e, no fundo, nada se mexe, as vãs agitações da superfície não devem ocultar-nos a calma mortuária que é nosso quinhão."
° ° °
"A questão do "estar só" é inteiramente diferente. Nunca estamos sós; estamos sempre em companhia de outras pessoas, a não ser, talvez, quando damos passeios solitários. Somos o resultado de um "processo" total, constituído de influências econômicas, sociais, climáticas, e outras; e enquanto vivermos sujeitos a tais influências, não estaremos sós.- Enquanto houver o "processo" da acumulação e da experiência, nunca será possível "estarmos sós". Podeis imaginar que estais só, quando vos isolais por meio de estreitas atividades individuais e pessoais; mas isso não é "estar só". Só é possível "estar só", quando não existem influência alguma. "Estar só" é ação que não é o resultado de uma reação, que não é uma resposta a desafio ou estímulo. O isolamento é um processo de exclusão, e nós procuramos o isolamento em todas as nossas relações, sendo esta a verdadeira essência do "eu" -meu trabalho, minha natureza, meu dever, minha propriedade, minhas relações. O próprio processo do pensamento, que é o resultado de todos os pensamentos e influências do homem, conduz ao isolamento. Compreender o isolamento não é um ato burguês; não podeis compreendê-lo enquanto houver em vós a dor daquela insuficiência não revelada que acompanha o sentimento de vazio e frustração. "Estar só" não é isolamento, e nem tampouco, o seu oposto; é um "estado de ser" em que há completa ausência da experiência e do conhecimento."
° ° °
A paz é tão graciosa
° ° °
"E nesse ponto abrasou-me de repente como aguda chama a revelação definitiva: todo homem tinha uma 'missão', mas ninguém podia escolher a sua, delimitá-la ou administrá-la a seu prazer. Era errôneo querer novos deuses, era completamente errôneo querer dar algo ao mundo. Para o homem consciente só havia um dever: procurar-se a si mesmo, afirmar-se em si mesmo e seguir sempre adiante o seu próprio caminho, sem se preocupar com o fim a que possa conduzi-lo. Tal descoberta comoveu-me profundamente e foi para mim como o fruto daquela vivência. Muitas vezes havia brincado com imagens do fturo e havia entressonhado os destinos que me estavam reservados, como poeta talvez ou talvez como profeta, como pintor, ou que modo fôsse. E tudo isso era um equívoco. Eu não existia para fazer versos, para rezar ou para pintar. Nem eu nem nenhum homem existíamos para isso. Tudo era secundário. O verdadeiro ofício de cada um era apenas chegar a si mesmo. Depois, podia acabar poeta ou louco, profeta ou criminoso. Isso já não era coisa sua, e além de tudo, em última instância, carecia de todo alcance. Sua missão era encontrar seu próprio destino, e não qualquer um, e vivê-lo inteiramente até o fim. Tudo o mais era ficar a meio caminho, era retroceder para refugiar-se no ideal da coletividade, era adaptação e medo da própria individualidade interior. Essa nova imagem ergueu-se claramente diante de mim, terrível e sagrada, mil vezes vislumbrada, talvez já expressa alguma vez, mas somente agora vivida. Eu era um impulso da natureza, um impulso em direção ao incerto, talvez do novo, talvez do nada, e minha função era apenas deixar que esse impulso atuasse, nascido das profundezas primordiais, sentir em mim sua vontade e fazê-lo meu por competo. Esta, e somente esta, era a minha função.
° ° °
Viva a linguagem simples e direta. Vivo é o tempo qual nunca pára e lhe sussura: - Já é hora de se ligar! Você é o potencial crítico, importante cirurgião da realidade.
- A terra é do povo, como o céu é do condor!
Tudo bem, estamos cansados de saber que no mundo contemporâneo as coisas funcionam desprovidas de valores e significados que vão além da carne, mas até que ponto vai essa sujeira toda ? É simples, vai até onde você deixar o seu rabo de bobeira.
Deixados os cadáveres para trás, rumou a montanha em busca de vida.
Meus caros, cuidado com o incessante disperdício de energia.
É uma pena, mas o que vai, volta.
Passar bem.
:D
Krishnamurti - Madrasta, 5 de fevereiro de 1950
que a tormenta excede,
confunde-se a bruma da noite
com o raiar do sol.
A tormenta é tão graciosa
que a paz excede,
confunde-se o raiar do sol
com a bruma da noite.
-"Desde que me cansei de procurar,
aprendi a encontrar;
Desde que o vento começou a soprar-me na face,
velejo com todos os ventos!" - disse Nietzsche.
Eu havia provado fundo a solidão. Mas agora pressentia uma solidão ainda mais profunda, e pressentia-a inevitável."
Herman Hesse, em Demian.

° ° °

° ° °
"Todo homem é o construtor de um templo, que é o seu corpo, para o deus que adora; e segue um estilo puramente seu, não podendo desincumbir-se martelando o mármore em vez de si mesmo. Somos todos escultores e pintores, e o material é nossa própria carne, sangue e ossos. Qualquer nobreza começa logo a refinar as feições de um homem, qualquer mesquinharia ou sensualidade a embrutecê-las." Thoreau, em Walden.
° ° °
"O que distingue os homens dos irracionais é algo de muito insignificante; o rebanho comum logo o perde; os homens superiores conservam-no cuidadosamente." Mencius
° ° °
Epitáfio do perfeito trabalhador comum
° ° °
palavras sábias;
° ° °
KRISHNAMURTI: Não estou certo se desejamos aquela intensidade. Ser "intenso" implica destruição, não é exato? Significa despedaçar todas as coisas que estamos acostumados a considerar tão importantes na vida. E, assim, o medo, talvez, nos impede de ser "intensos".
° ° °
vam'bora pro manguezal pra eu te mostrar os urubus,
° ° °
"O grande ou talvez único problema existencial: nossa finitude. A resposta mais sábia é: não sei. Não sei se sobrevivo à morte, ou o quê em mim sobreviveria a ela, não sei se existe alma, e se ela é independente do corpo. Perguntavam muito ao Buda sobre isso, reencarnação, a natureza da matéria, do espírito, etc. Sua resposta, invariavelmente: Nada disso ajuda no Caminho, esqueçam essas questões e apliquem-se em erradicar o sofrimento, cortando sua raiz que é o apego. Buda foi o primeiro pensador existencialista de que se tem notícia!"
° ° °
"[...]
° ° °
Despejado na poltrona, contorcia o rosto a pensar:
° ° °
"(...)
° ° °
quando começo a me achar patético
° ° °
Acredito que fui uma boa pessoa,
nunca cheguei atrasado e nem xinguei o patrão.
Como qualquer homem, sonhei
mas sabe como é, sempre com os pés no chão.
Certos momentos de euforia, quis gritar
mas preocuado com o fracasso preferi calar.
Chutei alguns baldes e até li alguns livros,
mas não tive tempo de assimilar.
Arrisquei-me em escalar algumas montanhas,
quando não tinha missa no fim de semana.
Tive até mulher amada,
que me traiu e fugiu, a desgraçada.
A vida, que sempre me foi luta,
confundiu-se com a labuta.
E de todos os meus sonhos, nem ela,
Assim vivida, me foi concedida.
"SOBRE O SOFRIMENTO
MUITO temos falado sobre a importância de enfrentar o fato, observá-lo sem condenação ou justificação, abeirar-nos dele sem opinião alguma a seu respeito. Principalmente quando se trata de fatos psicológicos, costumamos encará-los com todos os nossos preconceitos, nossos desejos, nossas ânsias, que deformam "o que é" e produzem um certo sentimento de culpa, de contradição, uma rejeição do que é. Falamos também sobre a importância da destruição completa de todas as coisas que construímos para nos servirem de refúgio, de defesa. A vida se nos afigura vasta demais, célere demais, e nossas mentes lerdas, nossa maneira lenta de pensar, nossos hábitos criam invariavelmente uma contradição dentro em nós, e procuramos impor condições à vida.
E, gradualmente, enquanto continua e cresce essa contradição e conflito, as nossas mentes se vão tornando mais e mais embotadas. Desejo, pois, nesta manhã, falar sobre a simples austeridade da mente e sobre o sofrimento.
É-nos muito difícil pensar diretamente, ver as coisas diretamente e seguir atentamente o que vemos, "até o fim", de maneira lógica, racional, sã. É muito difícil ver as coisas com clareza e, por isso, muito difícil ser simples. Não me refiro à simplicidade exterior do vestir, do possuir poucas coisas; quero referir-me à simplicidade interior. A meu ver, a simplicidade é essencial quando se considera um problema muito complexo, como o sofrimento. Assim, antes de começarmos a apreciar o sofrimento, temos de estar bem esclarecidos quanto ao significado da palavra "simples".
A mente, como agora a conhecemos, é muito complexa, infinitamente solerte, sutil; teve experiências mui numerosas; e contém em si todas as influências do passado, da raça, o resíduo dos tempos. Reduzir essa imensa complexidade à simplicidade é dificílimo; mas acho necessário faze-lo, pois, do contrário, nunca seremos capazes de ultrapassar o conflito e o sofrimento.
A questão, pois, é esta: Considerando-se toda esta complexidade - de saber, experiências, memória - existe alguma possibilidade de olharmos o sofrimento e dele nos livrarmos?
Em primeiro lugar, parece-me que, quando se trata de investigar, por nossos próprios meios, como pensar de maneira simples e direta, as definições e explicações são verdadeiramente prejudiciais. Uma definição verbal não torna a mente simples, e as explicações não produzem a clareza de percebimento. Parece-me, pois, que devemos estar bem cônscios de nossa escravização às palavras, sem perdermos de vista, entretanto, que as palavras são necessárias para as comunicações. Mas o que se comunica não é meramente a palavra; comunicam-se sentimentos, visões, que não podem ser formulados em palavras. Mente simples não significa mente ignorante. Mente simples é aquela que está livre para seguir todas as sutilezas, todas as variações, todos os movimentos de um dado fato. E para tanto deve a mente, sem dúvida, estar emancipada das palavras. Essa liberdade produz uma austeridade feita de simplicidade. Se há essa simplicidade no considerar as coisas, pode-se então tentar compreender o que é o sofrimento.
Penso que a simplicidade da mente e o sofrimento estão relacionados entre si. Viver no sofrimento em todos os dias de nossa vida é, sem dúvida, dizendo-o delicadamente, a coisa mais insensata que um homem pode fazer. Viver em conflito, na frustração, sempre enleado no medo, na ambição, enredado na ânsia de preenchimento, de êxito - passar a vida toda num tal estado, isso me parece de todo em todo fútil e desnecessário. E para nos livrarmos do sofrimento, devemos aplicar-nos de maneira simples a este complexo problema.
Há várias qualidades de sofrimento físico e psicológico. Há a dor física ocasionada pela doença - uma dor de dentes, a perda de um membro, deficiência visual, etc; e o sofrimento interior que nos vem quando perdemos alguém que amamos, quando não temos aptidões e vemos pessoas que as têm, quando não temos talento e vemos pessoas de talento, de dinheiro, posição, prestígio, poder. Há sempre ânsia de preenchimento; e, à sombra do preenchimento, se encontra a frustração, e com esta o sofrimento.
Temos, pois, esses dois aspectos do sofrimento - o físico e o psicológico. Perdemos porventura um braço, e surge o problema do sofrimento. Voltamos mentalmente ao passado, lembrando-nos do que já fizemos, que já não poderemos jogar tênis, já não poderemos fazer muitas coisas; a mente compara, e nesse processo gera-se sofrimento. Conhecemos bem esse gênero de coisa. O fato é que perdi meu braço e, por mais teorias e explicações que formule, por mais que compare, que me lamente, nada disso me restituirá o braço. Mas a mente gosta de lamentar-se, de volver ao passado. E fica, assim, o fato presente em contradição com o que foi. Essa comparação produz invariavelmente conflito, e por causa dele sofremos. Esta é uma modalidade do sofrimento.
Em seguida, temos o sofrimento psicológico. Meu irmão, meu filho morreu, foi-se deste mundo. Não há quantidade de teorias, de explicações, de crenças, de esperanças que mo possam restituir. A realidade cruel, inexorável, é o fato de que ele se foi. E outro fato é que me sinto sozinho, porque ele se foi. Éramos amigos, passeávamos juntos, conversávamos, ríamos, divertíamo-nos, e essa camaradagem acabou-se e fiquei sozinho. A solidão é um fato e a morte também. Sou forçado a aceitar o fato - sua morte - mas não quero aceitar o fato de ter ficado só no mundo. Por isso, começo a inventar teorias, esperanças, explicações, como meios de fuga ao fato, e são essas fugas que produzem sofrimento, e não o fato de achar-me sozinho, não o fato de ter morrido meu irmão. O fato nunca pode produzir sofrimento e parece-me importante compreender isso, se quer a mente verdadeira, total e completamente livre do sofrimento. Só acho possível a libertação do sofrimento quando a mente já não busca explicações e refúgios, quando encara o fato de frente. Não sei se já tentastes isso.
Sabemos que existe a morte e conhecemos o grande medo que ela provoca. É um fato que temos de morrer, cada um de nós, quer queiramos, quer não. E, assim, racionalizamos a morte ou nos refugiamos em crenças - karma, reencarnação, ressurreição, etc. - e, por conseqüência, sustentamos o medo e fugimos ao fato. E a questão é se à mente interessa de feito "ir até o fim", para descobrir se é possível nos libertarmos completamente do sofrimento, não no correr do tempo, porém no presente, agora.
Ora, pode cada um de nós, com inteligência, sanidade, enfrentar o fato? Posso enfrentar o fato de que meu filho, meu irmão, minha irmã, meu marido ou esposa, ou quem quer que seja, morreu e eu fiquei sozinho - em vez de tentar escapar a essa solidão por via de explicações, crenças e teorias sutis, etc. Posso olhar o fato, qualquer que seja ele: o fato de não ter eu talento, de ser estúpido, de estar sozinho, de que minhas crenças, minhas estruturas religiosas, meus valores espirituais são apenas defesas? Posso encarar esses fatos e não buscar meios e modos de fugir? É possível isso?
Só o acho possível quando já não nos preocupamos com o tempo, o amanhã. Nossa mente é preguiçosa e, por isso, estamos sempre a pedir tempo - tempo para nos recuperarmos, tempo para melhorarmos. O tempo não apaga o sofrimento. Podemos esquecer um dado sofrimento, mas o sofrimento existe sempre, profundamente oculto em nós. Mas eu acho possível extinguir de todo o sofrimento, não amanhã, não no decurso do tempo, porém percebendo a realidade no presente, e passando além.
Afinal, por que sofrer? O sofrimento é doença. Procuramos o médico para nos livrarmos de uma doença. Por que temos de suportar o sofrimento, de qualquer espécie que seja? Vede, por favor, que não estou fazendo retórica, pois isso seria insensato. Por que havemos nós, cada uma de nós, de suportar qualquer sofrimento, se é possível nos libertarmos disso completamente?
Essa pergunta implica outra: Por que vivermos em conflito? O sofrimento é conflito. Dizemos que o conflito é necessário, que faz parte da existência, que na natureza e em tudo o que nos cerca existe conflito, e que é impossível existir sem conflito. Conseqüentemente, aceitamos o conflito como inevitável interiormente, em nós mesmos, e exteriormente, no mundo.
Para mim, o conflito, de qualquer espécie que seja, é desnecessário. Podeis dizer: "Esta é uma idéia pessoal, vossa, e sem validade. Sois um homem só, solteiro - para vós isso é fácil! Mas nós outros temos de viver em conflito com os nossos vizinhos e a respeito de nossas ocupações; tudo o que tocamos gera conflito".
A meu ver, isso é questão de educação correta, e nossa educação não foi correta; ensinaram-nos a pensar em termos de competição, em termos de comparação. Tenho dúvidas sobre se é possível uma pessoa compreender, ver realmente, diretamente, por meio de comparação. Ou só se pode ver claramente, com simplicidade, depois de cessar a comparação? Decerto, uma pessoa só pode ver claro, quando a mente já não é ambiciosa, já não se esforça para tornar-se alguma coisa - mas isso não significa que a pessoa deva ficar satisfeita com o que é. Penso que um homem pode viver sem comparação, sem comparar-se com outro homem, sem comparar o que ele é com o que deveria ser. Enfrentar "o que é", a todas as horas, suprime as avaliações comparativas e, por conseguinte, penso eu, pode-se, assim, eliminar o sofrimento. Acho importantíssimo que a mente esteja livre do sofrimento. Porque a vida tem então significado bem diferente.
Outra coisa desastrosa que fazemos é buscar o conforto: não apenas conforto físico, mas também conforto psicológico. Desejamos abrigar-nos numa idéia, e quando essa idéia falha ficamos desesperados, e isso, por sua vez, gera sofrimento. A questão, pois, é esta: Pode a mente viver, funcionar, existir sem abrigo, sem nenhum refúgio? Pode um homem viver, dia por dia, enfrentando cada fato que surge e nunca buscando refúgio; enfrentando "o que é" a todas as horas, todos os minutos do dia? Porque então, penso eu, descobriremos que não só o sofrimento termina, mas também a mente se torna sobremodo simples e clara, apta a perceber diretamente, sem ajuda das palavras, do símbolo.
Não sei se alguma vez já pensastes sem palavras. Existe pensar sem verbalização? Ou todo pensar consiste apenas em palavras. Símbolos, quadros, imaginação? Todas essas coisas - palavras, símbolos, idéias, são prejudiciais ao percebimento claro. Acho que quem deseja investigar o sofrimento "até o fim", para descobrir se é possível ficar livre dele (não eventualmente, porém viver cada dia livre de sofrimento), deverá penetrar em si mesmo muito profundamente, para libertar-se de todas essas explicações, palavras, idéias e crenças, de modo que a mente fique verdadeiramente purificada e capacitada para perceber "o que é".
PERGUNTA: Quando há sofrimento, é decerto inevitável desejarmos fazer alguma coisa contra ele.
KRISHNAMURTI: Senhor, como já dissemos, nós desejamos viver com prazer, não é verdade? Ninguém procura modificar o prazer; queremos que ele continue dia e noite, perenemente. Não desejamos alterá-lo, não desejamos sequer, tocá-lo, "soprá-lo", de medo que se nos vá; queremos ficar-lhe apegados, não é mesmo? Agarramo-nos à coisa que nos dá deleite, que nos dá alegria, prazer, sensação - coisas tais como freqüentar a igreja, "ir à missa", etc. Essas coisas causam-nos muita vibração, sensação, e não desejamos alterar tal sentimento; ele nos faz sentir mais aproximados da fonte das coisas, e precisamos dessa sensação, não é verdade? Por que não podemos "viver com o sofrimento", da mesma maneira e com a mesma intensidade, e sem desejarmos fazer algo contra ele? Já tentastes isso? Já tentastes "viver com a dor física?" Já tentastes "viver com o barulho?".
Simplifiquemos as coisas. Quando um cão ladra à noite e vós desejais dormir - mas ele continua ladrando, ladrando - que fazeis? Resistis, não é verdade? Atirai-lhe coisas, praguejais contra ele, enfim fazeis tudo o que podeis contra ele. Mas se, em lugar disso, "acompanhásseis" o barulho, escutásseis o ladrar do cão sem resistência nenhuma, haveria incômodo? Não sei se já tentastes fazê-lo. Tentai, ao menos uma vez, não resistir! Assim como não repelis o prazer, não podeis igualmente "viver com o sofrimento", sem nenhuma resistência, sem escolha, sem procurar refúgio, sem acalentardes esperanças e, desse modo, abrirdes a porta ao desespero - viver, simplesmente, com ele?
"Viver com uma coisa" significa amá-la. Quando amais alguém, desejais viver com essa pessoa, estar em sua companhia, não? Da mesma maneira pode uma pessoa "viver com o sofrimento", não sadicamente, porém sentindo-lhe a força, a intensidade, e também sua absoluta superficialidade; e isso significa nada poder fazer contra ele. Afinal de contas, ninguém deseja fazer alguma coisa contra algo que lhe dá prazer intenso; ninguém deseja alterá-lo: deseja-se que continue. De modo idêntico, "viver com o sofrimento" significa, realmente, amar o sofrimento, e isso exige muita energia e compreensão; significa vigilância contínua, para não deixar a mente fugir ao fato. É facílimo fugir; pode-se tomar uma droga, uma bebida, ligar o rádio, abrir um livro, tagarelar com outros, etc. Mas "viver com uma coisa" - prazer ou dor - inteiramente, totalmente, requer mente bem vigilante. E quando a mente é assim vigilante, ela cria sua ação própria - ou, melhor, a ação nasce do fato, e a mente nada tem que fazer contra o fato.
PERGUNTA: Quando se trata de dor física, não devemos procurar o médico?
KRISHNAMURTI: Naturalmente; se tenho dor de dentes, procuro o dentista. Se tendes um incômodo físico, não deveis procurar o médico? Não denota certa superficialidade o fazer-se uma pergunta destas? Não estamos falando apenas da dor física, mas também da dor psicológica, de todas as torturas mentais por que passamos por causa de uma certa idéia, crença, pessoa; e estamos perguntando a nós mesmos se é possível ficarmos totalmente livres do sofrimento interior. Senhor, o organismo físico é simples máquina e sujeito a desarranjar-se, e temos de cuidar dele da melhor maneira e com ele nos arranjarmos como pudermos; mas podemos cuidar de que esse organismo físico não tenha interferência na mente, não a perverta, não a deforme, de modo que a mente permaneça sã, apesar dos males físicos. E nossa questão é se a mente - fonte de todo esclarecimento e ao mesmo tempo de todos os conflitos, misérias e sofrimentos - pode existir livre de sofrimento, não contaminada por nosso males físicos, etc.
Afinal, todos nos tornamos mais velhos em cada dia, mas decerto é possível conservar a mente jovem, nova, "inocente", não oprimida pelo peso tremendo da experiência, do conhecimento, do sofrimento. Tenho que uma mente nova, purificada, é absolutamente necessária para se poder descobrir o que é verdadeiro, se existe Deus - ou o nome que quiserdes dar-lhe. Uma mente envelhecida, torturada, cheia de sofrimento, nunca poderá descobri-lo. E fazer do sofrimento coisa necessária, coisa que eventualmente nos levará ao céu, é absurdo. O Cristianismo enaltece o sofrimento como o caminho da iluminação. Mas é necessário estarmos livres do sofrimento, da escuridão; porque só então poderá brilhar a luz.
PERGUNTA: É-me possível existir livre de sofrimento, vendo tanto sofrimento ao redor de mim?
KRISHNAMURTI: Que achais? Ide ao Oriente, à Indià, à Ásia, e lá encontrareis o sofrimento em vasta escala - sofrimento físico, fome, degradação, pobreza. Esse é um aspecto do sofrimento. Visitai o mundo moderno, e aí encontrareis todos muito ocupados em decorarem sua prisão externa - imensamente ricos, prósperos, mas todos também muito pobres interiormente, muito vazios; aí também se encontra o sofrimento. Que se pode fazer em presença desse fato? Que podeis fazer diante de meu próprio penar? Podeis socorrer-me? Pensai nisso a fundo, senhores!
Já falei cerca de uma hora, nesta manhã, a respeito do sofrimento e, de como nos livrarmos dele. Estou-vos ajudando, ajudando-vos de fato, isto é, tornando-vos livres dele, ajudando-vos a não o levar de um dia para o outro, a viver totalmente livres de sofrimento? Estou-vos ajudando? Acho que não. Decerto, esse trabalho compete a vós mesmos, inteiramente. Só estou a indicar-vos o caminho. Um indicador de direção nenhum valor tem se ficamos sentados a estudá-lo, indefinidamente. Cada um tem de enfrentar a solidão, percorrê-la "até o fim", observando todas as suas implicações. Posso evitar os sofrimentos do mundo? Conhecemos não apenas nossa própria angústia e desespero, mas também os vemos estampados nos rostos dos outros. Podemos mostrar a porta por onde um homem pode tornar-se livre, mas quase todos querem transpor essa porta carregados. Rendem culto ao homem que, segundo pensam, os carregará; fazem-no o Salvador, o Mestre - e tudo isso é puro contra-senso.
PERGUNTA: Que utilidade tem para outra uma pessoa livre, se não pode prestar-lhe ajuda?
KRISHNAMURTI: Como somos utilitários! Desejamos fazer uso de outros em nosso próprio benefício, ou desejamos beneficiar a outros. De que serve uma flor à beira da estrada? De que serve uma nuvem atrás das montanhas? De que serve o amor? Pode-se fazer uso do amor? A caridade tem alguma utilidade? A humildade tem utilidade? Existir sem ambição num mundo cheio de ambições, de que serve isso? Ser bondoso, delicado, generoso - isso nenhuma utilidade tem para o homem que não é generoso. Um homem livre nenhuma utilidade tem para o homem dominado pela ambição. E como quase todos nós vivemos dominados pela ambição, pelo desejo de êxito, aquele homem pouco significa para nós. Poderá falar-nos de liberdade, mas o que nos interessa é o êxito. Ele só poderá convidar-nos a passar à outra margem do rio, a ver a beleza do céu, a beleza do ser simples; a amar, ser bondosos, generosos, sem ambição. Mas são muito poucos os que passam para a outra margem; portanto, o homem que lá se encontra é de pouquíssima utilidade. Provavelmente o poreis num altar e o adorareis. E a isso, vos limitais, mais ou menos.
PERGUNTA: "Viver com o sofrimento" implica prolongamento do sofrimento, e tememos prolongá-lo.
KRISHNAMURTI: Não foi isso, naturalmente, o que eu quis dizer. Para "viver com uma coisa" - a beleza ou a fealdade - requer-se muita intensidade. "Viver com estas montanhas", dia por dia – se não as sentirmos, se as não amarmos, se não lhe admirarmos a beleza, a todas as horas, igualar-nos-emos aos camponeses, que a elas se tornaram insensíveis. O belo, se não lhe somos sensíveis, corrompe tanto como o feio. "Viver com o sofrimento" é "viver com as montanhas", porque o sofrimento torna a mente embotada, estúpida. "Viver com o sofrimento" implica vigilância infinita, e isso não prolonga o sofrimento. No momento em que se percebe a totalidade da coisa, esta se desvanece. Quando uma coisa é percebida totalmente, está acabada. Ao conhecermos a estrutura completa do sofrimento, sua anatomia, sua "interioridade", sem formular teorias a seu respeito, porém observando o fato realmente, a sua totalidade - então o fato cai por si. A rapidez, a presteza do percebimento depende da mente. Mas se vossa mente não é simples, direta, se está repleta de crenças, esperanças, temores, desesperos, desejando modificar o fato, "o que é", nesse caso estais prolongando o sofrimento.
PERGUNTA: Nossos preconceitos barram-nos o caminho, e temos de vencê-los; e isso pode levar tempo.
KRISHNAMURTI: Senhor, ao perceber que está só, a pessoa percebe também, instantaneamente, que deseja fugir desse estado, não é verdade? O fato de que estou só e o fato de desejar fugir desse estado podem ser percebidos imediatamente, não? Posso também perceber instantaneamente que qualquer espécie de fuga é uma maneira de evitar o fato da solidão, a qual devo compreender. Não posso pô-la de parte.
A meu ver, nossa dificuldade consiste em estarmos muito apegados às coisas nas quais nos refugiamos; elas são para nós bem importantes. Tornaram-se sumamente respeitáveis. Achamos que, se deixarmos de ser respeitáveis, só Deus sabe o que aconteceria. Por essa razão, torna-se de suma importância o apego à respeitabilidade, e deixa de ser relevante o fato de que precisamos compreender a solidão, ou o que quer que seja, totalmente.
PERGUNTA: Se não temos a necessária intensidade, que podemos fazer para a conseguirmos?
Todos nós, velhos e jovens, desejamos ser altamente respeitáveis, não é verdade? Respeitabilidade implica reconhecimento por parte da sociedade; e a sociedade só reconhece o que teve êxito, o que se tornou importante, famoso, e despreza o resto. Por isso, adoramos o êxito e a respeitabilidade. E quando pouco vos importa se a sociedade vos considera respeitável ou não, quando não buscais o êxito, não desejais tornar-vos alguém, existe então intensidade - e isso significa que não existe medo, nem conflito, nem contradição, interiormente; por conseguinte, dispondes de abundante energia para acompanhardes o fato "até o fim"."
Krishnamurti, Saanen-Suiça, 6 de agosto de 1961.
atazanar as ratazanas e lavar-se na lama.
de que lado você samba ?
os carangueijos não se fazem - de que lado você quer sambar ?
Mas memórias são memórias. Delas ficam de efetivos os cortes olfativos (o cheiro pungente das magnólias), visuais (um lençol verde de grama inglesa, a copada das árvores, um chorão que se derramava sobre um poço simbólico e abandonado), auditivos (os trechos de conversa, o latido do meu fiel cão Ras - assim chamado porque Ras é o chefe militar da nação absínia, feroz combatente e fero) ou táteis (a casca das árvores, o pêlo do cão, a doce penugem dos patos, a delicada penugem das galinhas de Angola). Mas não era um sitiante, um rural. Éramos eu e os meus, citadinos, urbanos, enfiados numa casa enorme (talvez não fosse tão enorme), a traçar, desde cedo, no cerne, os erros que cometeríamos e as frustrações e tragédias que causaríamos nos outros, e sob esse manto de decepções, a pungente verificação de que não conquistamos o nosso mundo prometido." Carlos Hard.
Que inferno é não saber o que preferir!
Preferia ficar ali, a analisar; Vocês já comeram tanto, toda vez que podem, enchem os buchos como se fossem morrer amanhã. - E na verdade vão, qual a importância ?
- Não sei. - Responderam calmos, os seus nervos.
Enquanto isso penduravam-se na copa das árvores, os gloriosos macacos lá no alto ribeirão; - Vejam só como somos sensacionais! Joguem suas moedas, joguem suas moedas!
Viver é afinar um instrumento
De dentro pra fora, de fora pra dentro
A toda hora, a todo momento
De dentro pra fora, de fora pra dentro
Tudo é uma questão de manter
A mente quieta
A espinha ereta
E o coração tranqüilo."
Walter Franco.
vejo vocês e me sinto melhor.
:)
até lembrar que sou ainda mais.